quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Senhor Pouca Sorte - Luisa Ducla Soares

História retirada do livro "Gente Gira" de Luisa Ducla Soares. As ilustrações são de Pedro Leitão. Tenho a certeza de que se irão rir um pouco.

Aquele rapaz nasceu numa sexta feira, dia treze, daí a sua pouca sorte.

Nunca apanhou uma doença para poder faltar à escola.
Que pouca sorte!

Saíam-lhe sempre automóveis nas rifas. Já tinha 17 carros, sem ter carta de condução.
Que pouca sorte!

Comprou uma galinha, pois queria ovos frescos, para fazer omeletes. Mas a galinha só punha ovos de ouro.
Que pouca sorte!


 Foi para a guerra como cozinheiro dos generais. Aumentou trinta quilos comendo pudins ao pequeno almoço, um peru ao almoço, dez gelados ao lanche, um bacalhau ao jantar. Nem sequer foi condecorado.
Que pouca sorte!

Quando caiu o helicóptero em que viajava, foi pousar, são e salvo, em cima de uma cerejeira. Logo ele, que não gostava de cerejas.
Que pouca sorte!

O ladrão que lhe assaltou a dispensa para roubar chouriços deixou ficar, por esquecimento, um saco com pulseiras, brincos, anéis de brilhantes e colares de pérolas. Tudo jóias para senhora.
Que pouca sorte!

Nunca casou porque tinha tantas namoradas, que não sabia qual havia de escolher.
Que pouca sorte!

Se lá em casa rebentava um cano ou entrava chuva pelo telhado, não tinha senhorio que lhe pagasse o conserto, porque era ele o dono da casa.
Que pouca sorte!

Mandou abrir um poço no quintal para regar a hortaliça. Mas do poço, em vez de água, saltou um repuxo de petróleo.
Que pouca sorte!


Um grande XI-    

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