quarta-feira, 4 de abril de 2012

As Tropelias do Malaquias

Gosto muito de trapalhadas na cozinha. Aqui vai mais um poema com um cozinheiro e um gato malandreco

As Tropelias do Malaquias

Havia grande alarido
Na cozinha do Vicente
Pois é bem certo e sabido
Que esse dia festivo
Ia alegrar muita gente.

Fazia anos o Zeca
E convidou os amigos
A mesa estava completa
De guloseimas repleta
Com olhinhos nelas fitos.

Chega o último convidado
Tudo era uma surpresa.
Mas disse o Rui admirado
Com um gritinho abafado:
- O bolo não está na mesa!

Ouve-se então na cozinha
Uma grande confusão
Logo a Quicas, a Tininha,
O Manel e a Ritinha
Espreitaram com atenção.

Na cortina da janela
Pendurado estava o gato
E no chão uma panela
Que o Zeca nem deu por ela
Metendo dentro o sapato.

Com espanto, o Malaquias,
Esse gato aventureiro,
Aterrou sem demasia
E em grande acrobacia,
Na tola do cozinheiro.

Este, vendo-se agarrado
Assim, por um furacão
Com o barrete de lado
E o nariz maltratado
Largou o bolo no chão.

E depois escorregou
No creme que o bolo tinha
E sem querer agarrou
(que logo se desmanchou)
Um pacote de farinha.

Pobre do nosso Vicente
Sem ter feito nenhum mal…
Com o bigode tremente
E sem bolo, de repente
Ficou branco como a cal.

Que fazer? Pensou o Zeca.
A festa nem começara…
Vão-se embora, pela certa
Estão todos de boca aberta
Com o que ali se passara.

O Rui gritou de repente:
- Vamos nós o bolo preparar!
Com a ajuda do Vicente
E o apoio de toda a gente
Teremos bolo para festejar!

Que bolo tão partilhado!
Nunca se viu festa igual!
O Vicente estava enlevado,
Contente por ter fechado
O Malaquias no quintal!

Eugénia Edviges
 
Um grande xi-


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