segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

Hoje Comemora-se o Dia Mundial da Poesia. O Centro Cultural de Belém antecipou este dia e ontem, dia 20, propôs várias actividades sobre a poesia. Começou às 11 horas com a abertura da Feira do Livro de Poesia, seguindo-se uma Maratona de Leitura com várias personalidades a declamarem poemas de Herberto Helder, que foi este ano homenageado. Também havia actividades relacionadas com a Poesia para as crianças e vários espaços onde o público podia declamar um poema. Foi um dia maravilhoso. Eu tive a sorte de poder declamar um poema meu.




































A poesia deve estar sempre presente na vossa vida. Assim, tomo a liberdade de transcrever dois poemas de dois grandes poetas: Sophia de Mello Breyner e Bertolt Brecht. Leiam pausadamente e irão adorar.



Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.



Da Violência

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas
as margens que o comprimem.





Não me quero comparar a Sophia ou a Brecht, mas aqui fica também um poema meu:


Sob Aquela Árvore da Minha Infância

Sob aquela árvore da minha infância
Pairam fantasmas de risos e lágrimas.
E o tempo ausente
Pressente em mim
Uma voz dolorida.

Sob aquela árvore da minha infância
Ouvem-se cantigas de embalar.
E o baloiço dança...
Balança o meu corpo
Nas voltas da vida.

Sob aquela árvore da minha infância
Procuro rever imagens de outrora.
Lanço os meus braços,
Passos dou em vão
Na paisagem perdida.


Um grande xi-coração poético

2 comentários:

  1. Muito bem...

    A biblioteca dedica-lhe este poema...

    Saudade

    Saudade - O que será... não sei... procurei sabê-lo
    em dicionários antigos e poeirentos
    e noutros livros onde não achei o sentido
    desta doce palavra de perfis ambíguos.

    Dizem que azuis são as montanhas como ela,
    que nela se obscurecem os amores longínquos,
    e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
    a nomeia num tremor de cabelos e mãos.

    Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
    seu segredo se evade, sua doçura me obceca
    como uma mariposa de estranho e fino corpo
    sempre longe - tão longe! - de minhas redes tranquilas.

    Saudade... Oiça, vizinho, sabe o significado
    desta palavra branca que se evade como um peixe?
    Não... e me treme na boca seu tremor delicado...
    Saudade...

    Pablo Neruda, in "Crepusculário"
    Tradução de Rui Lage

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  2. Só agora acedi ao teu comentário porque aguardava a minha autorização para ser publicado. Adorei! Obrigada. Bjocas

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